Areias Betuminosas Canadenses

Suas características e seus impactos sociais, ambientais e econômicos e comparações com o gás de xisto no Brasil

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Formação:
• Bacharel em Sistemas de Informação Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
• Pós-graduado em Pós-Graduação Executiva em Óleo e Gás pela COPPE/UFRJ
• Pós-graduado em Gestão de Processos de Negócio pela UNIRIO
• Certificado PMP pelo Project Management Institute

Perfil: Profissional com 8 anos de experiência em gerenciamento de Projetos em Telecom nas áreas: Billing/Cobilling, Gestão de Terminais (Marketing) e Áreas Técnicas (TI/BI). Experiência com gerenciamento de projetos multidisciplinares: exerci o desenvolvimento de business case para um novo produto de alto valor agregado (Projeto Fibra – Triple Play), além da coleta de requisitos e especificação funcional; gerenciei contratação e acompanhamento de fornecedores, com negociação de propostas técnicas/comerciais em projetos estratégicos; lidero frentes de solução de problemas e participo de rollouts nacionais de projeto de Força de Vendas,

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O gás natural representa atualmente participações de aproximadamente 26% e 6.2% nas matrizes energéticas dos EUA e Canadá, respectivamente. Dentro destes volumes, o “Shale Gas” tem aumentado a sua participação de maneira consistente com a exploração crescente das reservas, o que reduz, por outro lado, as importações de óleo e gás natural, principalmente nos EUA. Esses fatores, por sua vez, colaboram de forma decisiva para a derrubada do preço do barril de óleo de 100 para aproximadamente 60 dólares.

Porém, o “fracking” utilizado para se obter o “Shale Gas” é um método mais dispendioso que os métodos tradicionais, considerando que ele (o “Shale Gas”) é obtido de jazidas (xisto betuminoso), de onde também se extrai óleo. Alguns executivos afirmam que a extração e a produção tornam-se inviáveis, se o preço final do barril for muito baixo. Além disso, os poços que sofreram “fracking” podem apresentar tempo de vida reduzido, em comparação às reservas de óleo e gás tradicionais, o que força a exploração constante de novas reservas. Segundo o EIA (U.S. Energy Information Agency, em inglês), a previsão é de que os EUA estabilizem a sua produção em 2020.

Ainda não há consenso sobre o nível de poluição do “Shale Gas”, quando comparado às fontes fósseis, como o carvão, que hoje responde por 39% da matriz energética norte-americana. Estudos da Universidade de Cornell e da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA, na sigla em inglês) argumentam que o “Shale Gas” é potencialmente mais poluente, considerando prazos específicos e a possibilidade de vazamento de metano dos poços já abertos*. No entanto, há estudos, como o da Exxon Mobil**, que contestam estas descobertas.

Considerando tudo isso, penso que o “Shale Gas” já influencia e continuará influenciando a matriz energética de ambos os países. Isso se deve ao fato de ele estar cada vez mais presente nos mesmos, através do aumento ou manutenção da produção (considerando que esta se mantenha em níveis crescentes ou, ao menos, estáveis), de acordo com a viabilidade econômica e da disponibilidade e do acesso ao recurso na natureza. Em relação ao impacto ecológico dessa presença crescente, considero que ainda é cedo para obter alguma conclusão, uma vez que não há uma definição sobre o assunto, conforme já foi citado.

*Fonte: (fonte: http://www.carbonbrief.org/blog/2013/08/shale-gas-more-or-less-polluting-than-coal/)

Acredita-se que o nosso país possua uma das maiores reservas de gás de xisto do mundo, figurando, inclusive, entre os 10 primeiros. Entretanto, governo e população ainda não chegaram a um acordo sobre a exploração deste recurso. O bloco paranaense, por exemplo, considerado um dos mais promissores, chegou a ter a exploração suspensa pelo Ministério Público, devido à falta de estudos conclusivos sobre os riscos ambientais, sociais e econômicos. Soma-se a isso a falta de infraestrutura e logística, algo recorrente no país, gerando um impacto negativo na chance de se exercer a atividade. Dessa forma, a probabilidade de execução e a descoberta do seu real potencial ainda seguem desconhecidos no Brasil.
Alguns dos impactos são similares aos causados pela extração do óleo nas areias betuminosas, uma vez que o “Shale Gas” provém dessa mesma fonte. Certos riscos detectados envolvem vazamentos de produtos químicos utilizados para lençóis freáticos e aumento da emissão de gases de efeito estufa. Há também outros riscos ainda desconhecidos. Sendo assim, penso que precisamos, inicialmente, mapear ao máximo estes riscos e as medidas que poderiam ser tomadas, já que estamos lidando com recursos naturais não renováveis e com o meio ambiente. Qualquer ação realizada sem a devida pesquisa pode ter resultados catastróficos no futuro.
De acordo com o WRI.org, as 10 maiores reservas de “Shale Gas” recuperável estão na China, Argentina, Argélia, Canadá, Estados Unidos, México, Austrália, África do Sul, Rússia e Brasil.

Acredito que a disponibilização deste energético foi benéfica para consumidores e indústrias, no geral, uma vez que houve retração de preços da energia como um todo e consequentemente aumento do consumo. Considero os EUA como o mercado que mais se favoreceu do aumento da disponibilidade do “Shale Gas”, já que, além das vantagens citadas anteriormente, também houve influência em aspectos geopolíticos e nos preços de outras fontes de energia, como o petróleo. Pode-se afirmar, portanto, que há benefícios, principalmente para os países que usam o gás como forma de geração de eletricidade, visto que os preços da energia reduziram. Entendo ainda que, enquanto essa tendência se mantiver, o “Shale Gas” será uma opção viável em seus mercados consumidores.

Busco uma oportunidade profissional que me permita utilizar os conhecimentos adquiridos no curso. Eu sempre me interessei pelo Canadá e, quando descobri sobre as areias betuminosas, achei que poderia juntar os dois assuntos. Queria produzir algo relevante e que pudesse reforçar a literatura sobre o assunto no Brasil, a qual percebi, no início do trabalho, ser um tanto deficiente.

 

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