Comunicação e Petróleo – O Caso Chevron no Globo

Entrevistamos Luciana Brafman, aluna da 32ª turma do MBP, repórter, redatora e editora em redações de grandes jornais de circulação nacional.

imagemmailSobre a aluna:
Turma: MBP 32

Formação:

• Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
• Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela Facha

Perfil:

Professora de Comunicação Social da PUC-Rio, desde 2006. Sócia da Doze+ Gestão de Comunicação, desde 2014, com atuação em consultoria corporativa, com foco em Economia/Finanças. Profissional com mais de 15 anos de experiência em Jornalismo, sobretudo nas áreas de Economia e Política. Atuação como repórter, redatora e editora em redações de grandes jornais de circulação nacional, como O Globo, Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Experiência corporativa em grandes empresas nacionais e multinacionais com cargos de liderança nas gerências de marketing, planejamento e controladoria ao longo de 6 (seis) anos.

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Não sei se é correto afirmar que hoje ainda é o mais lembrado. Esse indesejável posto é atualmente ocupado por Macondo, provavelmente. De qualquer forma, o Exxon Valdez é um dos mais lembrados, sim, por vários motivos. Primeiro, na época, foi o maior derramamento, até então, ocorrido nos Estados Unidos. E foi também um caso dramático, em que houve uma sucessão de erros, desde a embriaguez do capitão do navio até as falhas no sistema de contingenciamento e a inabilidade inicial dos envolvidos em lidar com a sociedade, entre outros. No mais, atingiu o Alasca, uma área de difícil acesso, com uma natureza sensível e exuberante, onde a pesca tinha e ainda tem importante papel econômico. Parece que, naquele momento, o mundo se deu conta do longo e doloroso processo que é a recuperação de um estrago ambiental. Por fim, foi um caso marcante, que contribuiu para a mudança de leis, normas e procedimentos no setor.
Não acredito em “determinismo genético” ou maniqueísmo nem na indústria do petróleo, nem em qualquer outro setor. Mesmo Rockefeller deve ser entendido como um homem de seu tempo, a partir dos valores daquela época. E, de fato, há arrogantes em qualquer área empresarial ou governamental, inclusive, em ONGs, organizações religiosas ou na academia. Mas, sem dúvida, por muito tempo, a indústria do petróleo cultivou uma imagem de poluidora, exploradora, gananciosa, enfim, de um agente do mal. Só que é uma indústria fundamental, goste-se ou não. Ela emprega, gera tecnologia de ponta, produz riqueza. Temos, então, que aprender a lidar com a questão. Minha convicção é de que a comunicação entre as grandes empresas, a imprensa e a sociedade é uma peça chave para esta transformação de imagem, de papel social. Muitas grandes corporações já perceberam, por exemplo, que fazem parte do setor de Energia, não exclusivamente do setor de petróleo.
A multidisciplinaridade é uma das características mais interessantes do setor. Os projetos costumam envolver pessoas das mais diferentes formações, nacionalidades e com experiências distintas. É uma atividade fantástica do ponto de vista humano. Quando ocorre uma crise, esta multidisciplinaridade deve se fazer também presente, para superar o problema de modo eficaz. Se entendermos crise como tudo o que afeta a imagem de uma empresa, os danos devem ser contidos rapidamente e comunicados com transparência à sociedade. Um comitê especializado e qualificado é, portanto, imprescindível. É sinal, antes de mais nada, de que a empresa não está subestimando a crise, o que já é meio caminho andado. A agilidade e a precisão da informação são fundamentais. E, nesse sistema, a informação é centralizada numa só fonte, evitando-se versões contraditórias. Isso é importante porque, num momento de crise, como o de um grande vazamento, o relacionamento de uma empresa com a imprensa é tipicamente tenso. Dependendo de como se dá esse processo, a repercussão nos meios de comunicação e, consequentemente, na sociedade, pode ser mais ampla ou restrita. Danos de imagem são custosos e difíceis de serem reparados. O profissional de comunicação deve entender a conjuntura em que o caso está inserido, zelar pela transparência, objetividade, agilidade e “tradução” da notícia, além de compreender em que bases está construída a rede de relacionamentos entre a empresa e os diversos stakeholders.
Estão mudando muito e rapidamente. Vivemos a Era da Informação, e a sociedade está, realmente, passando por fortes transformações no que se refere à circulação e ao uso da informação. É legítimo que exerça seu direito de impedir abusos políticos e socioeconômicos na manipulação de dados.  A repercussão do “WikiLeaks” está aí para provar que um Big Brother não é tema de ficção.
O jornalista é um profissional generalista, mas que precisa se especializar no assunto que cobre. Isso permite que aprofunde seus conhecimentos e, consequentemente, consiga traduzir à sociedade o que há de mais relevante na informação, sem falar besteira ou ser manipulado. O curso é excelente não só nesse sentido, como do ponto de vista pessoal também, dada a importância da energia no mundo. E a convivência com pessoas de diferentes setores é extremamente rica, permite uma incrível troca de conhecimento. A escolha do tema me pareceu, desde o início do curso, óbvia. Seria um desperdício não aproveitar minha experiência na cobertura jornalística para escrever sobre a importância da comunicação e da interação empresa-imprensa. Usei conceitos teóricos do jornalismo como base e escolhi fazer um estudo de caso, relatando e analisando como e por que um pequeno acidente ganhou uma proporção enorme na mídia. Meu desejo é que o trabalho possa gerar questionamentos que contribuam na construção de uma sociedade mais transparente.

 

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