História do Petróleo

Índice:

Resumo em 2 minutos:

 

História Detalhada:

1. Samuel Kier

Os fins medicinais do petróleo ao longo da história

Samuel Kier

Samuel Kier

A maioria sabe da importância do petróleo para a nossa história, mas o que muitos nem imaginam é que, além de todos os benefícios e inovações que o petróleo trouxe para a civilização, e antes mesmo de ser utilizado da maneira que conhecemos, ele possuía outras funcionalidades, como, por exemplo, fins medicinais. E também era conhecido por óleo de pedra, óleo mineral e óleo de nafta. E foi a partir daí que o petróleo começou, de fato, a ser comercializado.

Desde a antiguidade, o petróleo surgia de maneira natural em determinadas regiões que atualmente correspondem ao Oriente Médio. Assim, ele era usado por vários povos para colar ladrilhos e pedras e, até mesmo, engraxar couros. Posteriormente, passou a servir para o embalsamento e para lubrificar as rodas das carruagens. Ao petróleo são atribuídas as propriedades laxantes, cicatrizantes e anti-sépticas. Ele também era considerado eficaz  no tratamento da surdez e na cura de tosse, bronquite, congestão pulmonar, gota, reumatismo e mau-olhado.


A comercialização do petróleo, nesse sentido, se deu a partir de 1850, antes mesmo da famosa descoberta do Coronel Drake, com Samuel Kier, um boticário de Pittsburg, na Pensilvânia. Quando sua esposa contraiu tuberculose, seu médico prescreveu uma dose diária de “American Oil Medicinal”. Nisso, ele viu na doença da mulher uma boa oportunidade de negócio, conseguindo vender um vidro com meio litro de petróleo por meio dólar. Com isso, um litro de petróleo equivalia a um dólar (valor na época correspondente ao preço de um barril, hoje, no mercado internacional). Devido a uma intensa campanha de marketing, aliada à logística de comercialização, essa transação ficou extremamente valorizada, o que levou Kier a restringir a venda apenas a farmácias. Esse movimento chamou a atenção de Bissel, que resolveu querer ganhar muito dinheiro com o petróleo e reuniu um grupo de investidores para descobrir o petróleo em larga escala. Essa história culminou na descoberta do Coronel Drake, contratado pelo grupo para realizar tal tarefa.

2. Coronel Edwin Drake

A descoberta do petróleo pelas mãos de um maquinista

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Torres de Perfuração, Pensilvânia/EUA

É possível que o petróleo tenha sido descoberto por acaso? Num golpe de sorte ou destino? Não só é possível, como foi exatamente o que aconteceu. Edwin Laurentine Drake, mais conhecido como Coronel Drake, foi o primeiro felizardo a conseguir extrair petróleo do subsolo, através de uma técnica de perfuração, em 1859. E ele quase desistiu da tentativa.Tudo começou quando George Bissell, um advogado de Nova York, imaginou algo grandioso para o futuro, na forma de uma substância conhecida como “óleo de pedra”. Para Bissell, esse produto poderia ser exportado em quantidade e processado para ser convertido num fluido que seria queimado em lampiões, como iluminante. Assim, haveria condições de competir – em condições favoráveis – com óleos de carvão, que dominavam o mercado. A ideia era que, com uma quantidade satisfatória de óleo de pedra, seria possível lançar um iluminante barato e de boa qualidade. Foi então que, no fim de 1854, Bissell liderou um grupo de investidores que contratou o professor de química da Universidade de Yale Benjamin Silliman Jr. para analisar as propriedades do óleo como iluminante e lubrificante.

Mas foi apenas depois de se deparar com uma propaganda de remédio à base do “óleo de pedra”, com várias torres de perfuração na imagem, que veio à mente de Bissell a ideia de interromper a escavação e partir para a perfuração. E é assim que Coronel Drake, um ex-maquinista, surge na história, ao ser contratado pelo advogado para dar inicío à exploração. O título de “coronel”, por sua vez, veio por mera formalidade, já que Drake não era militar, mas precisava atender a circunstâncias para viajar a Titusville, na Pensilvânia,  para explorar a terra construiria a primeira torre de petróleo.

Em 1959, depois de seis meses, quando Drake já não acreditava mais no resultado do trabalho, a broca atingiu uma fenda a 23 metros de profundidade e deslizou mais 15 centímetros aproximadamente. Com isso, a perfuração foi suspensa, e, no dia seguinte, era possível observar um fluido escuro boiando na água. A partir daí, iniciou-se a febre do petróleo, que deu origem a cidades em pleno deserto nos EUA e revolucionou a indústria.

3. John Davison Rockefeller

John Rockefeller

John D. Rockefeller

Fundador da Standard Oil Company, em 1870, ele foi o responsável por revolucionar o setor petrolífero e dominar a indústria.  Ele também fundou a Universidade de Chicago e a Universidade Rockefeller.  Sua fortuna total foi estimada, em 1937 (ano de sua morte), em 1,4 bilhão de dólares.

A Standard Oil teve início como uma parceria de John com seu irmão, William Rockefeller, além de Henry Fagler, Jabez Bostwick, o químico Samuel Andrews e Stephen V. Harkness.  A crescente demanda por querosene e gasolina, no período, favoreceu o aumento da riqueza de Rockefeller, que se tornou o homem mais rico do mundo e ainda o primeiro americano a ter mais de um bilhão de dólares. A Standard Oil se tornou, em pouco tempo, um dos maiores transportadores de petróleo e querosene dos Estados Unidos e obteve o controle quase total do refino e comercialização de petróleo no país.

John Rockefeller pode ser considerado nada menos que o homem mais rico da história, segundo parte dos especialistas. Isso porque, ajustando o valor de sua fortuna da época da inflação, o montante chega a 664 bilhões de dólares.

4. Os Irmãos Nobel

Conheça a origem do Prêmio Nobel

Irmãos Nobel

Irmãos Nobel

Com certeza, você já ouviu falar do Prêmio Nobel, a mais importante homenagem àqueles que se destacaram nas seguintes áreas: Física, Química, Medicina, Literatura e em prol da paz e/ou diplomacia. Mas sabe de onde, ou melhor, de quem surgiu a ideia? Conheça a história do grande empresário Alfred Nobel e seus irmãos, que deixaram contribuição significativa para a indústria e para a área de pesquisa científica.

Alfred Nobel foi um químico, inventor e filantropo sueco, filho de um casal de engenheiros descendentes de Olof Rudbeck, um dos mais conhecidos gênios da tecnologia na Suécia, no século XVII. Com apenas nove anos, ele e seus irmãos, Ludvig e Robert, mudaram com os pais para a Rússia. Foi lá, inclusive, que o trio recebeu a educação exemplar  no campo das ciências humanas e naturais e transformou o Canato de Baku, situado às margens do Mar Cáspio, em uma verdadeira Meca do petróleo.

Eles foram revolucionários ao construir as primeiras refinarias privadas, além de assentar o primeiro oleoduto e distribuir o petróleo russo através de navios petroleiros construídos por eles mesmos. Em Paris, conheceu o o jovem químico italiano Ascanio Sobrero, inventor da nitroglicerina, produto que chamou a atenção de Alfred por seu potencial na engenharia civil. Ao regressar à Suécia, em 1863, Nobel tentava desenvolver a nitroglicerina como explosivo. Após várias tentativas frustradas, ele pensou em tornar a nitroglicerina em algo mais manipulável, juntando a ela alguns compostos que deram origem a uma pasta moldável, que seria reconhecida como dinamite, em 1866.

Devido ao seu trabalho na área de explosivos, com a descoberta da dinamite e sua comercialização em grande escala no final do século XIX, Alfred Nobel logo tornou-se milionário. Ele fundou companhias e laboratórios em aproxidamente 20 países, além de deter mais de 350 patentes. O surgimento do famoso Prêmio Nobel veio a partir da morte de seu irmão, Ludvig. Alfred já vinha mostrando descontentamento com o uso militar indevido dos explosivos que havia criado e ficou ainda mais desgostoso ao ler a edição de um jornal francês, que havia noticiado por engano a morte de Ludvig como sendo sua e o chamara de “mercador da morte”. Com isso, Alfred pensou em uma forma de ser lembrado da maneira como pensava ser justa: em seu testamento, determinou que sua fortuna (cerca de 32 milhões de coroas suecas) fosse usada para a criação de uma instituição que deveria financiar, anualmente, cinco grandes prêmios internacionais, sendo quatro para quem se destacasse em seus trabalhos e descobertas nas áreas de Física, Química, Medicina e Literatura. O quinto deveria ser destinado às pessoas que mostrassem empenho em prol da paz e da amizade entre as nações.

A cerimônia de entrega do Prêmio Nobel é realizada em Oslo, Noruega, e em Estocolmo, na Suécia, todo dia 10 de dezembro, data do aniversário de morte de Nobel. Em 1969, foi acrescentado também o prêmio para as Ciências Econômicas, em homenagem ao próprio Alfred Nobel.

5. O Petróleo entre Thomas Edison, Henry Ford e John Rockefeller

A riqueza que (também) vem com a sorte

É claro que para ganhar dinheiro – e mantê-lo – não é necessário apenas talento, bons contatos e faro para o negócio. Alguns dos principais empresários do mundo também contaram (e ainda contam) com um pouquinho de sorte. E ninguém

poderia ser considerado mais sortudo do que justamente aquele que seria o homem mais rico do mundo, nos dias de hoje.John Davison Rockefeller, fundador da Standard Oil Company e responsável por revolucionar o setor petrolífero, viu o seu império correr risco com a chegada de outro grande gênio. Mas, logo em seguida, foi “salvo” por um colega inventor.

Thomas A. Edison

Thomas A. Edison

Dono de uma fortuna avaliada em 1,4 bilhão de dólares ( que chega, porém, a 664 bilhões de dólares, se ajustarmos o valor de sua fortuna da época da inflação), Rockefeller tinha o controle da indústria com a sua querosene iluminante, mas ele não contava com a intervenção de outro personagem tão conhecido e importante quanto ele: Thomas Edison. O famoso inventor, cientista e empresário americano foi a mente por trás de dispositivos que ajudaram a desenvolver a indústria, entre eles o fonógrafo e o cinetógrafo. Mas foi com a criação da lâmpada elétrica que ele ajudou a revolucionar a tecnologia e ameaçou os negócios de Rockefeller, cuja fortuna foi, em grande parte, acumulada através da querosene iluminante. Com a iminente substituição de seu produto pela invenção de Edison, o fundador da Standard Oil Company estava certo de que cairia em declínio.

Henry Ford

Henry Ford

E foi aí que a sorte lhe sorriu outra vez. Isso porque, em 1903, um nome também não indiferente fundou a empresa que seria a salvação de Rockeller. Henry Ford precisou de apenas cinco anos para lançar com a sua companhia, a Ford, o Ford T,  que mudou para sempre o conceito de locomoção na América. A partir daí, o consumo do petróleo teve um crescimento significativo, e a Standard Oil conseguiu se adaptar, expandindo sua produção para o gás natural nos Estados Unidos e, depois, gasolina para automóveis. Assim, Rockeller conseguiu não só manter a sua fortuna, como aumentá-la.

6. Monteiro Lobato

Pioneiro no setor petrolífero

Monteiro Lobato/Divulgação

Monteiro Lobato

Para quem conhece Monteiro Lobato apenas pelos famosos personagens do Sítio do Pica-pau amarelo, não faz ideia de que, antes de dar vida a Pedrinho, Narizinho, Emília, Dona Benta e Tia Nastácia, o escritor desempenhou um papel ainda mais importante na história do país: ele foi um dos primeiros brasileiros a investir na extração de petróleo – e seria preso posteriormente por reivindicar esse direito. Para Lobato, o país tinha potencial para produzir todo o combustível necessário na época e manter-se independente do mercado estrangeiro.

Em 1927, o presidente Washington Luís nomeou o escritor adido comercial nos Estados Unidos. Em sua temporada norte-americana, Lobato acompanhou com bastante interesse as inovações tecnológicas e industriais daquele país e ficou convencido de que o progresso norte-americano era um fruto de investimentos em ferro, petróleo e transportes. Logo, ele acreditava que o Brasil deveria desenvolver políticas de desenvolvimento semelhantes para seguir os mesmos passos dos americanos. Já em 1928, após visitar a fábrica da General Motors, Lobato decidiu erguer uma empresa para produzir aço em terras tupiniquins. Nesse meio tempo, Julio Prestes surgia como sucessor de Luís nas eleições de 1930 e recebeu o apoio do escritor, diretamente de Nova York, pois ele acreditava que deveria haver continuidade administrativa para que fosse adotava uma política desenvolvimentista semelhante à dos EUA. Ainda que Prestes tenha sido, de fato, eleito, ele não chegou a exercer o cargo em virtude da Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, o candidato derrotado. Ao tomar posse de maneira forçada, Getúlio ganhou rapidamente a antipatia de Lobato.

O escritor voltaria ao Brasil em 1931, quando se tornaria defensor ferrenho de investimentos em petróleo, ferro e estradas como pilares do desenvolvimento nacional, criando a Companhia Petróleos do Brasil, uma empresa privada de capital aberto que vendeu 50% de suas ações em apenas quatro dias. O sucesso das ações possibilitou ao escritor criar outras quatro empresas: Companhia Petróleo Nacional, a Companhia Petrolífera Brasileira e a Companhia de Petróleo Cruzeiro do Sul, e a Companhia Mato-grossense de Petróleo. Contudo, Getúlio não reconhecia a existência de petróleo no Brasil, uma vez que essa afirmação era atestada por empresários brasileiros, pois eles acreditavam que, houvesse mesmo petróleo no país, as petrolíferas americanas já teriam descoberto. Lobato, por sua vez,  não estava apenas convicto da existência de petróleo no Brasil, como também suspeitava que os americanos já trabalhavam no mapeamento das áreas petrolíferas.

Ao ter sua empresa frequentemente sabotada por órgãos governamentais e submetida a intervenções infundadas e desnecessárias por motivos dos mais banais – acabando por obter provas de suas suspeitas sobre a ação estrangeira na prospecção de petróleo no país -, Lobato resolveu escrever, em 1935, uma carta ao presidente Vargas. No texto, ele apontou as dificuldades impostas pelo Ministério da Agricultura em relação às atividades de suas companhias e ainda denunciou confidencialmente as atividades da filial argentina da Standard Oil Company no país, que incluía a corrupção de fiscais do Serviço Geológico Nacional. Ao ser ignorado oficialmente, Lobato publicou o livro “A Luta Pelo Petróleo”, no qual denunciava o Serviço Geológico Nacional, órgão oficial encarregado das pesquisas, e acusava o governo de não tirar o petróleo e não permitir que outros o fizessem.

Getúlio Vargas

Getúlio Vargas

A existência do petróleo só é confirmada pelo governo federal em 1936, quando eles decidem explorar um poço no município de Lobato, na Bahia. No ano posterior foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), resultando na primeira iniciativa responsável por regular e estruturar a exploração de petróleo. Havia, na época, uma disputa entre empresários e ideais nacionalistas, divulgados pelo governo getulista, sobre a exploração petrolífera no país. Uma alteração de última hora no decreto-lei que instituiria o CNP passou a considerar patrimônio da União todas as jazidas de petróleo em solo brasileiro, inclusive as ainda não encontradas.

O escritor foi preso em 1941, pelo general Horta Barbosa, após criticar duramente, através de outra carta endereçada a Getúlio, a política brasileira de exploração de minérios. Neste mesmo ano,  foi descoberto o primeiro poço de exploração comercial, em Candeias, na Bahia, o que permitiu ao governo avançar na prospecção de petróleo no país. A partir da promulgação da Constituição de 1946, intensificou-se o debate relacionado ao petróleo. O presidente Dutra defendia uma política econômica liberal, de abertura ao capital estrangeiro. Isso representava abrir mão da exploração do petróleo brasileiro para os interesses das multinacionais. Mas, até aquele momento, o Brasil não possuía uma empresa de cunho nacional com o capital e a tecnologia necessários para a exploração de petróleo. Foi quando Dutra enviou ao Congresso um projeto de lei denominado “Estatuto do Petróleo”, que revoltou os nacionalistas, dando origem à campanha “O Petróleo é Nosso!”, que não só impediu a tramitação do Estatuto no Congresso, como também contribuiu para o estabelecimento do monopólio do petróleo e finalmente para a criação da Petrobras.

7. A luta pelo petróleo e a criação da Petrobras

Fundação do primeiro centro de defesa do petróleo, na ABI/ Foto: Veja/Walter Bernardes

Primeiro centro de defesa do petróleo, na ABI/ Foto: Walter Bernardes

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, iniciou-se no Brasil um intenso debate sobre como explorar o petróleo no país, a partir de 1946, quando foi promulgada a Constituição brasileira. A carta estabelecia  uma regulamentação sobre a exploração de petróleo por meio de lei ordinária, criando, assim, a possibilidade da entrada de empresas estrangeiras no setor petrolífero. Portanto, de 1947 a 1953, a população ficou dividida entre os defensores da ideia de que a prospecção, refino e distribuição deveriam ser atividades exploradas por empresas privadas, estrangeiras ou brasileiras, e os chamados nacionalistas, que afirmavam que, se o Brasil não criasse uma empresa estatal, o petróleo seria oligopolizado pelas grandes corporações internacionais, como a Standard Oil, Shell, Texaco, Mobil Oil, Esso, entre outras, submetendo o país às grandes companhias do consumo nacional.

Foto: acervo Sindipetro AM, PA, AP

Foto: acervo Sindipetro AM, PA, AP

O então presidente da República Eurico Gaspar Dutra enviou ao Congresso Nacional do Brasil, em 1948, um um anteprojeto do Estatuto do Petróleo – projeto de lei desenvolvido a partir dos estudos de uma comissão criada pelo presidente Dutra, responsável por revisar as leis existentes devido à nova Constituição de 1946 e criar outras regras para a exploração do petróleo no Brasil. Se aprovado, o texto determinava a participação da iniciativa privada na indústria de combustíveis. Como, naquele momento, nenhuma empresa no país apresentava recursos ou tecnologia para a prática, os nacionalistas temiam que, com a aprovação do anteprojeto, as multinacionais dominassem a exploração do petróleo brasileiro. Assim, o grupo composto por civis, militares, intelectuais, estudantes e profissionais liberais organizou um movimento popular considerado um dos maiores, senão o maior, da história brasileira: a campanha “O Petróleo é Nosso!”. A iniciativa teve, claro, o apoio do escritor Monteiro Lobato. A mobilização popular surtiu efeito, impedindo a tramitação do Anteprojeto do Estatuto do Petróleo no Congresso Nacional. Porém, um dos maiores legados do movimento foi a criação da Petrobras.

Em 3 de outubro de 1953,  o então presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei 2004, que estabeleceu o monopólio estatal de pesquisa, refino e transporte do petróleo – ou seja,  a exploração petrolífera no Brasil em prol da União -, instituindo, com isso, a Petrobras.  A Petrobras é uma empresa estatal de economia mista, de capital aberto, sendo o governo brasileiro o acionista majoritário, e atua nos seguintes segmentos: exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo e gás natural, petroquímica, distribuição de derivados, energia elétrica, bicombustíveis, além de outras fontes energéticas renováveis. As atividades da empresa tiveram início com o acervo recebido do antigo Conselho Nacional do Petróleo, que manteve a função fiscalizadora sobre o setor, e suas instalações foram concluídas em 1954, ano em que também começou a produção do petróleo, que supria apenas 1,7% do consumo nacional.

Getúlio Vargas e Edifício Edise (sede da Petrobras)/Divulgação

Getúlio Vargas e Edifício Edise (sede da Petrobras)/Divulgação


Para maiores informações sobre como nasceu a Petrobras acesse este link: http://www.youtube.com/watch?v=BJt3tJWrAlM

8. Gamal Nasser

A causa da 2ª Crise do Petróleo

Gamal Nasser

Gamal Nasser

As chamadas crises do petróleo ocorreram todas depois da 2ª Guerra Mundial e envolveram um cruzamento de conflitos, sendo o primeiro entre os estados nacionais e as multinacionais para obter o controle do processo produtivo e distributivo, e, posteriormente, entre os países produtores e os países consumidores. Uma das mais conhecidas é a Segunda Crise, cujo responsável foi o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser.

Em julho de 1956, Nasser resolveu nacionalizar o Canal de Suez, única ligação entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho e principal escoadouro de petróleo dos países árabes para a Europa, que estava sob domínio de uma companhia anglo-francesa formada nos tempos colonialistas. Com a determinação, restavam apenas duas opções aos petroleiros oriundos do Golfo Pérsico: contornar todo o continente africano para alcançar os centros consumidores ou pagar ao Egito o que se pedisse. A medida gerou insatisfação por parte da França e da Grã-Bretanha, que, temend0 o nacionalismo árabe defendido por Nasser, optaram por uma intervenção militar punitiva na região, com o apoio de Israel.  Com isso, em outubro do mesmo ano, o Sinai, península pertencente ao Egito, foi invadido por Israel, e, logo em seguida, tropas francesas e britânicas ocuparam o território, assumindo o controle militar do canal.

A estratégia, no entanto, não foi bem vista aos olhos do mundo e recebeu duras críticas, inclusive, do governo norte-americano e da URSS. Assim, o Conselho de Segurança da ONU decidiu intervir na situação, exigindo a desocupação da área recém-conquistada e enviando, depois, uma Força Internacional de Paz ao canal, que foi reaberto em 1957. Em virtude dessa crise, e com o bloqueio do canal,  o abastecimento foi interrompido, gerando um aumento significativo do preço do petróleo.

9. Mr. Walter Link

Saiba mais sobre o homem que mudou a história de petróleo no Brasil

Aqui no blog, você já teve conhecimento sobre o início da história do petróleo, a partir da grande descoberta do Coronel Drake, em 1859, e de como Monteiro Lobato tentou explorar o petróleo nacional, na década de 30.

Walter K. Link/Divulgação

Walter K. Link

Mas, para sermos mais precisos, no Brasil, a “jornada” do petróleo tem início quase cem anos depois dos acontecimentos com Drake, com a volta da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Segunda Guerra Mundial, durante os períodos de desabastecimento de combustíveis e também devido ao apoio dos militares em fazer o país ingressar nessa realidade petrolífera. Daí, surgiu um dos principais movimentos cívicos do país, “O Petróleo é Nosso!”, que influenciou na criação da Petrobras pelo então presidente Getulio Vargas, em 3 de outubro de 1953, e entrou em cena um personagem bastante significativo e relevante para a história petroleira do Brasil: o geólogo americano Walter Link. E nós vamos contar um pouco mais sobre a sua história  resumindo para você um artigo baseado em uma carta entre Walter Link e Carlos W. Marinho, um dos primeiros geólogos brasileiros enviados por Link para o exterior.

Mais popularmente conhecido como Mr. Link, o prestigiado geólogo da Standard Oil chegou ao Brasil em 1955, a pedido do general Juracy Magalhães, o primeiro presidente da Petrobras, para liderar a busca pelo petróleo nacional. Apesar de ter auxílio de alguns técnicos brasileiros formados, em sua maioria, pelo Conselho Nacional do Petróleo, Link ainda não estava satisfeito com a qualidade dos profissionais e decidiu enviar diversas turmas de profissionais do país para as melhores universidades dos Estados Unidos, como a Colorado School of Mines, a Universidade do Texas e a de Oklahoma, por exemplo. Porém, o geólogo corria contra o tempo e a ansiedade do Brasil em se tornar uma potência petrolífera. Assim, Link tomou a ousada decisão de importar dezenas de outros geólogos, geofísicos e engenheiros estrangeiros, que fariam o trabalho dos técnicos brasileiros e, depois, seriam repatriados e substituídos, à medida em que os nossos profissionais voltassem dos estudos nas universidades americanas.

Carlos Walter/Divulgação

Carlos Walter

Link foi responsável por implementar na Petrobras um padrão de excelência, com a organização e as práticas das melhores empresas de petróleo do mundo. No entanto, após cinco anos de trabalho, Link percebeu que as bacias sedimentares em que estavam trabalhando não teriam capacidade de proporcionar ao Brasil a autossuficiência em petróleo que todos desejavam. O Relatório Link, por sua vez, era composto por cartas, telegramas e relatórios técnicos desenvolvidos por Link e sua equipe, e avaliava qualitativamente as bacias sedimentares brasileiras. A partir dessa análise, eram atribuídas notas no formato de letras A,B,C e D para ratificar recomendações sobre o direcionamento de futuros investimentos da companhia, de acordo com o potencial exploratório dessas bacias. Como o resultado obtido da bacias terrestres brasileiras não foi satisfatório, Link indicou investimentos em áreas de maior potencial no exterior, especialmente no Oriente Médio, e, posteriormente, nas bacias marítimas do Brasil.

O conselho de Link não foi bem recebido e o fato de a Petrobras ter desmontado a sua base operacional em Belém seguindo as orientações do geólogo também agravaram o descontentamento com o seu trabalho, culminando na volta de Link para a Califórnia, em 1961. No entanto, as previsões do especialista – que morreu em 1982 – foram confirmadas e, mesmo com investimento pesado nas bacias paleozoicas, a Petrobras não fez descobertas mais relevantes, à época. Hoje, sabe-se que, mesmo com as limitações do período, as avaliações referentes ao potencial das bacias terrestres feitas por Link, bem como suas recomendações, foram extremamente precisas e pertinentes, tornando a sua contribuição para a história petroleira do Brasil inestimável.

10. Juan Pablo Perez

Petróleo: uma benção ou maldição?

Juan Pablo Perez

Juan Pablo Perez

Em tempos de grandes expectativas relacionadas ao pré-sal e ao potencial brasileiro de petróleo, é preciso, porém, ter atenção e não deixar que os investimentos se acumulem apenas neste setor.  O venezuelano Juan Pablo Perez, um dos fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), já havia feito o alerta ao criar a expressão “a maldição do petróleo”. Segundo ele, o petróleo traz tanto benefícios quanto malefícios, caso os governos não saibam administrá-lo.Há uma grande diferença na forma como os países lidam com o petróleo. Por exemplo, como explicado em matéria da Folha: em países como a Noruega e o Reino Unido, chamados petrolíferos, o petróleo é apenas mais um setor da economia, diferentemente da Rússia, onde  influencia na economia, na política e, até mesmo na cultura. Estudos comprovam que as economias das nações que seguem os mesmos passos dos russos cresceram menos, em comparação aos países que não exportam principalmente matérias-primas. Nos Estados onde o petróleo é tratado como foco principal, apenas pequenos grupos políticos, militares e empresariais desfrutam de seus benefícios. Outra consequência também é o encarecimento da própria moeda, prejudicando o setor ecônomico e tornando esses países cada vez mais dependentes das exportações de petróleo e gás.

Perez, professor de Direito Civil, político e diplotama, não se conformava com a pobreza de seu país, que, ironicamente, era rico em petróleo.  Ele achava que o petróleo produziria corrupção e acomodação dos empreendedores e políticos nacionais, o que resultaria na ruína da Venezuela. Considerando o petróleo o “excremento do diabo”, Perez defendia a tese de que 50% dos lucros com a produção do petróleo deveriam ser destinados ao estado produtor.

Por isso, é necessário que o Brasil fique atento. O petróleo não é  infinito. Se os outros setores da economia forem deixados de lado, bem como os investimentos em outras áreas igualmente importantes, como infraestrutura e educação, caso o petróleo acabe, um dia, o país pode entrar numa crise sem volta, ou duradoura.

11. Ernesto Geisel

comando do país e da Petrobras

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Ernesto Geisel

Dando continuidade à série de posts sobre a história brasileira do petróleo, vamos falar agora sobre um personagem importante não só para o país, mas também para o crescimento da Petrobras: o general Ernesto Geisel, o 23º presidente da República, que exerceu a função de 15 de março de 1974 a 15 de março de 1979. Além disso, ele foi o único presidente da República a ser também presidente da Petrobras.

Visita de Geisel às instalações da Petrobras em Sergipe/José Francisco Barreto Sobral

Visita de Geisel às instalações da Petrobras em Sergipe/José Francisco Barreto Sobral

Geisel é lembrado por seu comprometimento e responsabilidade para com as suas atribuições, mas também por sua personalidade autoritária e  a consequente pouca simpatia que despertava na população. Nascido em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, começou a se envolver com a política desde 1931, quando foi nomeado secretário de Estado no Rio Grande do Norte. Ainda na década de 30, foi secretário da Fazenda e de Obras Públicas na Paraíba. Nos anos 50, foi subchefe do Gabinete Militar do então presidente Café Filho e posteriormente superintendente geral da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, além de representante do Ministério da Guerra no Conselho Nacional de Petróleo.Com toda essa experiência na área, ele assumiu a presidência da Petrobras, em 1969, após exercer o cargo de chefe de gabinete do Gabinete Militar do presidente Castelo Branco e de se aposentar como ministro do Supremo Tribunal Militar, e ficou até 1973. Sob seu comando, a Petrobras foi além da prospecção, da produção e do refino, transformando a insuficiência em superávit. Geisel doou todo o seu conhecimento e atenção para a empresa, que adquiriu uma nova feição com seus investimentos.

Foi com Geisel que a Petrobras ampliou suas atividades, com a descoberta de novos campos, além da construção de novas refinarias – entre elas, a de Paulínia, que ainda é a maior do país – e do desenvolvimento da petroquímica, fazendo com o que a marca fosse reconhecida pelo mundo, através da subsidiária Braspetro, responsável por perfurar os poços em países ricos em óleo. Para Geisel, o “monopólio legal atribuído à Petrobras” garantia ao país o abastecimento de petróleo. No entanto, o general não concordava com a possibilidade de estendê-lo à distribuição de derivados e à petroquímica. O governo Geisel também deixaria outro legado para a Petrobras: o advogado e político brasileiro Shigeaki Ueki, que foi o ministro de Minas e Energia do Brasil durante o seu governo.  Ueki, por sua vez, exerceu a função máxima de comando da empresa por um período significativo, de 1979 a 1984.

12. O sequestro de Ahmed Zaqi Yamani

Ahmed Zaqi Yamani

Ahmed Zaqi Yamani

Em 1960, foi criada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para coordenar, de maneira centralizada, a política petrolífera dos países membros, de modo a restringir a oferta de petróleo no mercado internacional. A iniciativa obviamente impulsionava os preços. Fazem parte da organização os seguintes país: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Catar (do Oriente Médio); Angola, Líbia, Argélia e Nigéria (da África); e Equador e Venezuela (da América do Sul). Porém, a disputa pelo controle da área e do petróleo, a partir da estratégia da OPEP, causou um dos maiores incidentes internacionais, resultando no sequestro de altos executivos de empresas petrolíferas, entre eles o sheik Ahmed Zaqi Yamani, ministro do petróleo da Arábia Saudita e presidente do órgão por mais de 25 anos.

Sede da OPEP

Sede da OPEP

Para tentar dar um basta no conflito israelo-árabe, os membros árabes da OPEP resolveram criar a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo, logo após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, com o objetivo de centralizar a política de atuação e, ao mesmo tempo, pressionar o ocidente, cujo apoio era por Israel. Mesmo não sendo exportadores regulares de petróleo, Egito e Síria faziam parte da nova organização. Contrariados com o fornecimento de petróleo para Israel, que permitiu ao país resistir às investidas das forças egípcias e sírias, o mundo árabe decidiu impor um embargo contra Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão. Este conflito gerou uma crise, na qual os membros da OPEP pararam de exportar petróleo para o Ocidente, que foi obrigado a reduzir os gastos anuais com energia, aumentar os preços, e ainda vender mercadorias com preço inflacionado para os países do Terceiro Mundo produtores de petróleo. O clima tenso na região culminou num grave incidente, em 1975,  quando Yamani e os outros ministros do petróleo dos membros da OPEP foram feitos reféns por uma equipe de seispessoas liderada pelo terrorista Carlos, o Chacal, em Viena, na Áustria, onde eles participavam de uma reunião na sede da OPEP. A ideia inicial de Carlos era aparecer na conferência à força e sequestrar todos os onze ministros na reunião e mantê-los para resgate. Apenas Ahmed Zaki Yamani e o iraniano Jamshid Amuzegar, de acordo com os planos, seriam executados. Chacal dividiu os reféns em três grupos: delegados de países amigos foram levados em direção à porta, enquanto os “neutros” foram colocados no centro da sala e os “inimigos” distribuídos ao longo da parede de trás, ao lado de uma pilha de explosivos. Neste último grupo estavam os representantes da Arábia Saudita, Irã, Catar e os Emirados Árabes Unidos. O sequestrador ainda teria informado Ahmed Zaki Yamani sobre seu plano de voar para Aden, onde Yamani e o ministro iraniano seriam mortos.

Após uma longa peregrinação envolvendo carros e aviões, alguns reféns foram libertados e seguiam as negociações para tentar salvar a vida de Yamani e Amuzegar. Acredita-se que o desfecho da situação tenha acontecido após um suposto telefone entre Carlos e o então presidente Argelino, Houari Boumédiène, que teria informado ao Chacal a possibilidade de um ataque ao avião no qual ele mantinha os reféns, caso os ministros do petróleo fossem mortos. Tempos depois, foi descoberto, a partir de declarações de cúmplices de Carlos, que a operação foi comandada por Wadi Haddad, um terrorista palestino e fundador da Frente Popular para a Libertação da Palestina, e que a recompensa oferecida ao Chacal pela libertação dos reféns árabes foi em torno de 20 a 50 milhões de dólares. Tudo isso resultou em outra crise no abastecimento de combustível, em 1982, quando os países do Golfo Pérsico aumentaram em 300% o preço do petróleo – determinação de ninguém menos que o próprio Ahmed Zaqi Yamani.

13. O povo x a quebra do monopólio da Petrobras

Monopólio da Petrobras: O general Geisel, primeiro presidente da República a ser também presidente da Petrobras, garantiu à empresa o “monopólio legal” de exploração e produção de petróleo, que estabelecia ao país o abastecimento do óleo.A Petrobras conduziu, portanto, essas atividades de 1954 a 1997, quando houve a quebra desse monopólio, durante o governo FHC. E é exatamente sobre isso que iremos falar, dando continuidade à série de posts sobre a história petrolífera brasileira.

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Fernando Henrique Cardoso

A década de 90 foi marcada como o período em que os trabalhadores da Petrobras enfrentaram os maiores ataques da história da categoria. Esse cenário, no entanto, começou a ser construído em 1983, a partir de uma greve histórica convocada pelos petroleiros contra o pacote de medidas imposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) direcionado especialmente às estatais. Essa luta continuou nos anos seguintes, sendo o Movimento Nacional em Defesa do Sistema Petrobrás (MNDSP)decisivo na Constituinte, em 1988. Mesmo com as pressões, os petroleiros vencem a primeira batalha, garantindo uma nova Constituição e também a manutenção do monopólio da União e da Petrobras sobre a exploração e produção de petróleo.

Monopólio petrobras

Já no início de 1990, o então presidente Fernando Collor, logo após a sua posse, extingue a Interbrás e a Petromisa, as duas maiores subsidiárias da Petrobras. Dois anos depois, é desenvolvido o Programa Nacional de Desestatização, privatizando todas as companhias sob o comando da Petroquisa. Esse programa foi seguido em 1993, com Itamar Franco, que privatizou a Petrofertil. Os petroleiros, por sua vez, iniciam uma campanha nacional de mobilização para impedir as privatizações. Em meio aos embates, eles conseguem impedir a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Revisão Constitucional, em 1993 e 1994, que pretendia liberar ainda mais as privatizações. Porém, em 1995, o novo presidente Fernando Henrique Cardoso encaminha ao Congresso um projeto de emenda constitucional determiando o fim do monopólio da Petrobrás sobre a exploração e produção de petróleo. Em junho do mesmo ano é aprovada a quebra na Câmara dos Deputados, e, em novembro, no Senado.

Monopólio petrobras: Ato em defesa da Petrobras e contra a revisão constitucional, Brasília. Foto: acervo Sindipetro Bahia

Ato em defesa da Petrobras e contra a revisão constitucional, Brasília. Foto: acervo Sindipetro Bahia

A Lei 9.478 é aprovada no Congresso em julho de 1997, estabelecendo o fim do monopólio da Petrobras e a abertura do mercado e flexibilização da empresa, possibilitando a sua privatização – ou seja, essa lei reafirmava o monopólio da União sobre os depósitos de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, mas abria o mercado para outras empresas competirem com a Petrobras. Com a regulamentação do setor pela nova lei é criada a Agência Nacional de Petróleo (ANP), responsável por comandar a entrega das reservas brasileiras às empresas privadas e presidida pelo genro de FHC, David Zilbersztajn. Em 1999, outra grande mobilização é convocada pelos petroleiros para tentar suspender o leilão que entregaria às multinacionais 27 áreas produtoras de petróleo, sendo essa apenas a primeira das cinco rodadas de licitação de blocos exploratórios realizadas pela ANP.

Por fim, em 2000, o governo abre mão de 31,7% das ações da Petrobras, leiloando boa parte para a Bolsa de Valores de Nova York. Também no mesmo ano, é anunciada a troca do nome da empresa para Petrobrax, mas, devido à grande rejeição popular, FHC volta atrás e mantém a logo e a nomeação original da companhia.

14. Campo de Tupi

A descoberta que mudou o Brasil

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Pré-Sal

Concluindo a história do petróleo brasileiro, não poderíamos deixar de falar de algo que marcou o setor petrolífero nacional e transformou o Brasil em exportador de petróleo para o mundo: a descoberta do pré-sal. Porém, antes de entrarmos nos acontecimentos, é preciso definir o conceito de “pré-sal”.

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Plataforma de Petróleo em Alto Mar

Pré-sal é o nome dado às reservas de hidrocarbonetos em rochas calcárias localizadas abaixo de camadas de sal. É o óleo descoberto em camadas de 5 a 7 mil metros de profundidade abaixo do nível do mar. No Brasil, essa camada tem aproximadamente 800 quilômetros de extensão, por 200 de largura, começando do litoral de Santa Catarina até o litoral do Espírito Santo. Geólogos da Petrobras já discutiam a existência do pré-sal na década de 70, porém, não havia estrutura suficiente para concluir as pesquisas. A área engloba três bacias sedimentares – Santos, Campos e Espírito Santo – e, dentre os campos e poços de petróleo e gás natural já descobertos na camada pré-sal, estão: Tupi, Guará, Bem-te-vi, Carioca, Júpiter e Iara, sendo o Tupi o principal deles.A primeira descoberta de petróleo no mar, contudo, se deu em 1968, no Campo de Guaricema, em Sergipe. Assim, foi construída a plataforma Petrobras 1 (P-1), pela Companhia de Comércio e Navegação no Estaleiro Mauá, em Niterói (RJ), a primeira plataforma de perfuração flutuante construída no Brasil. Já em 1974, o petróleo é descoberto na Bacia de Campos (RJ), no Campo de Garoupa. Os primeiros indícios de petróleo no pré-sal datam de 2005, na Bacia de Santos (SP), mas foi apenas em 2007, após análises concluídas no segundo poço do bloco BM-S-11, que a Petrobras anunciou a descoberta de reservas gigantes no campo de Tupi, em Santos, com volume de 5 a 8 bilhões de barris de qualidade e gás natural.

A área corresponde ao maior campo já descoberto no Brasil, com metade de todo o petróleo encontrado no país nos últimos 50 anos, e aumentou as reservas de petróleo e gás da Petrobras em 40 a 60%. Com isso, o Brasil passou a obter uma das 10 maiores reservas de petróleo do mundo e chegou ao patamar de exportador do óleo.Após o anúncio, as ações da Petrobras subiram mais de 10% na Bolsa de Valores de São Paulo.

Todavia, a legislação brasileira, na época, não permitia à União uma participação maior nos resultados, além de controle da riqueza potencial, preservando os interesses nacionais. A partir daí, o governo passou a agir em caráter de urgência para que fosse aprovado um sistema de partilha que atendesse aos direitos do país de manter essa nossa riqueza. Com isso, o então presidente Lula instituiu uma Comissão Interministerial, que seria responsável por estudar e sugerir as alterações necessárias e adequadas para a alteração do modelo, que substituiu o regime de concessões pelo regime de produção partilhada, garantindo uma participação ampla da Petrobras e de estatais na exploração dos poços, embora mantenham a parceria com empresas privadas. A Petrobras, por fim, ficou como operadora do bloco e detém 65% de participação no empreendimento.

Desde a sua descoberta, a produção acumulada no pré-sal já atingiu a marca de 250  milhões de barris de petróleo e gás, sendo que a produção atual é de mais de 300 mil barris de petróleo por dia (bpd). A marca, alcançada em setembro deste ano, é oito vezes superior à produção média do pré-sal em 2010, quando foram produzidos 42 mil bpd. No total, já foram perfurados também 37 poços exploratórios no pré-sal da Bacia de Santos, apresentando índice de sucesso maior que 90%.

15. Leilão de Libra

Um novo marco para o petróleo nacional

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Após concluirmos a história do petróleo brasileiro, não podemos deixar de falar também do acontecimento posterior à descoberta do pré-sal, que já é um marco para o setor: o leilão de Libra, na Bacia de Campos, a maior reserva de petróleo do Brasil. Realizado no dia 21 de outubro, ele consistiu na primeira rodada de disputas para definir, sob o regime de partilha da produção, áreas para exploração de petróleo e gás natural na região brasileira do pré-sal, no qual a União fica com parte do óleo extraído pelas empresas vencedoras. E o primeiro vencedor – aquele que oferecesse ao governo a maior fatia de óleo – foi o consórcio formado por Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC. As empresas apresentaram uma proposta de pagamento de 41,65% do lucro em óleo para a União.

Leilão/Fernando Frazão/ Agência Brasil

Leilão/Fernando Frazão/ Agência Brasil

A partir deste modelo, a Petrobras ficou com a maior participação no consórcio, que corresponde a 40%, porque, ainda que na proposta seja oferecida uma fatia de 10% para a estatal, a empresa tem direito, de acordo com o edital, a outros 30%. Assim, a francesa Total e a Shell ficam com 20%, cada uma, enquanto as chinesas CNPC e CNOOC terão 10%, cada. Apesar de o leilão ter recebido uma proposta única, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a diretora-geral da Agência Nacional Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP), Magda Chambriard, se mostraram otimistas com o resultado, alegando que o valor do bônus de assinatura que será pago pelo consórcio vencedor à União é considerável (R$ 15 bilhões) e que as empresas que formam o grupo são algumas das maiores do setor de energia do mundo. Magda explicou ainda que, no total, somando os ganhos com o bônus de assinatura, a partilha do óleo, o retorno da participação na Petrobras e o pagamento de royalties pelas concessionárias, entre outros fatores, a União deve ficar com, pelo menos, 80% do óleo extraído de Libra.

De acordo com a ANP, o volume de óleo recuperável estimado na exploração de Libra fica em torno de 8 bilhões a 12 bilhões de barris, o que deve dobrar as reservas nacionais de petróleo, que são hoje de 15,3 bilhões de barris. As reservas de gás, que acumulam atualmente 459,3 bilhões de metros cúbicos também devem duplicar com Libra. Com aproximadamente 1.500 quilômetros quadrados, a área é considerada pelo governo a maior para exploração de petróleo do mundo, e a expectativa é que Libra produza até 1,4 milhão de barris por dia, valor cinco vezes maior que a produção do campo de Marlim Sul, atual líder no Brasil, com 284 mil barris diários. Por causa de Libra, cuja demanda de exploração será maior (algo em torno de 12 a 18 plataformas, além de 60 a 90 barcos de apoio) com a compra de bens e serviços, a ANP estima que cerca de R$ $ 400 bilhões devem ser investidos no setor de petróleo e gás no país, entre 2013 e 2016.